Após uma noite muito fria no acampamento, acordamos cedo e saímos em torno das 5 horas da madrugada, muito escuro ainda, tivemos que sair com as lanternas rumo ao Mirador de Las Torres, era uma noite iluminada com a lua cheia e nenhuma nuvem no céu, o visual já dava sinais que seria espetacular. Não conhecíamos o trajeto, mas o mapa baixado da Internet e visualizado através do GPS nos dava a referência do trajeto correto, assim, iniciamos a pernada. Um trajeto de 9,5 km (ida) com muita subida, pedras, trilhas e bosques espetaculares, o sol começou aparecer quando estávamos chegando ao Acampamento Chileno, ainda ali percebemos que acertamos em cheio ontem quando resolvemos acampar lá embaixo, foi melhor subir apenas com a mochila de ataque ao invés de carregar todo equipamento até lá. Nosso objetivo era ver os primeiros raios de sol já no mirador Las Torres, porém, para isso teríamos que ter saído do acampamento cerca de 1 hora antes. Subimos todos os 9,5 km em 2, 5 horas, uma subida rápida e desgastante, mas que valeu todo esforço que fizemos.

O visual do Mirador de Las Torres foi simplesmente sensacional, algo inesquecível, impar e único, pegamos o sol já batendo no lago que fica na base das torres, tiramos um monte de fotos neste lugar, mas também, não poderia ser diferente disso. Aqui aconteceu algo quase inacreditável. Na euforia de fotografar, subir e descer pelas pedras, acabei esquecendo uma das partes da bolsa da câmera fotográfica aberta, e numa das descidas acabei perdendo duas baterias. Uma tragédia considerando que estava tudo programado e racionado dia a dia, mas não nos desesperamos e logo iniciamos à “caça as baterias” com a certeza de que iríamos encontrar e assim foi, elas estavam lá no alto da trilha do mirador, uma ao lado da outra, um verdadeiro milagre considerando o número de pedras existentes e a dificuldade do terreno, essa foi a nossa segunda sorte grande na aventura. Satisfeitos pelo espetacular visual das torres que presenciamos, pelas nossas fotos e por ter encontrado as baterias, iniciamos a descida com o objetivo de chegar de volta ao acampamento antes do meio dia e depois partir rumo ao acampamento Serón.

14+
Acampamento Camping Torres.

O almoço neste dia foi pão com atum e uma “papinha” de aveia com água que improvisei. Em seguida recolhemos nosso acampamento. Enquanto estávamos desmontando e organizando os apetrechos, parou uma moça e perguntou qual era o caminho para chegar até o Serón, comentamos que estávamos indo para o mesmo lugar e a convidamos para vir conosco. Era a nossa amiga da Argentina, Augustina Morro, que nos acompanhou nos próximos três dias de Aventuras pelo maciço Paine. As placas indicavam o Serón a 12 km e um desnível de 300 metros. A caminhada neste trecho foi bastante cansativa aliado ao visual sem muitos atrativos e ao tempo que estava começando a nublar. Já havíamos passados dos 12 km e nem sinal do acampamento, isso aconteceu em outros trechos também, a indicação das placas não fechava com a marcação realizada pelo GPS, assim, chagamos ao nosso objetivo na marca dos 14 km, totalizando 33 km de caminhada neste dia. Chegamos exaustos, e já fomos procurar um lugar plano e seco para armar nosso acampamento pela segunda vez. Havia muitos mosquitos no local, quase não dava para conversar por causa deles. Tirei algumas fotos dos Caracarás que vinham pegar comida e de uma Lebre muito tranquila que se alimentava no gramado.

O acampamento Serón é o mais desprovido de estrutura, porém, no local foi possível tomar um banho quente e usar os banheiros novos e limpos por 4 mil pesos chilenos. O jantar desta noite foi dois pacotes de massa, feitos dentro da barraca mesmo, pois não dava pra aguentar os mosquitos. Encontramos um casal de Brasileiros de Salvador e conversamos um pouco com eles, depois combinamos de sair cedo no próximo dia com objetivo de passar pelo Acampamento Dickson ao meio dia e chegar até o Acampamento Los Perros no fim da tarde, assim faríamos mais 31 km de caminhada e precisávamos descansar para recuperar as energias.

Transcrição do diário da viagem por: Cristiano da Cruz e Paulo Adair Manjabosco

Data do Relato: 15 a 30/03/2014

Texto e Fotos: Cristiano Da Cruz

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Contato: www.indiadabuena.com.br

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