Hoje completamos uma semana de aventuras na Patagônia, até agora a viagem está sendo melhor do que o esperado, tudo dentro daquilo que planejamos e ainda contamos vários momentos de pura sorte. Mal sabíamos que o dia que estava pela frente traria dificuldades ainda maiores do que aquelas já superadas. Acordamos cedo novamente e logo fomos até o alojamento Grey tomar nosso café, ao pegar os alimentos e apetrechos percebi que os ratos haviam feito a maior farra no meu pacote de aveia, não teve jeito, tive que jogar tudo fora. Ainda bem que o restante dos alimentos deixamos pendurados nas árvores a salvo dos roedores. Antes da partida tomamos outra vez chá com bolacha recheada. O Dia amanheceu chuvoso e com muito vento, assim, a pernada deste dia começou debaixo de chuva mesmo.

O trajeto do acampamento Grey até o acampamento Paine Grande, que seria nosso próximo destino, era um dos mais belos do maciço Paine, a caminhada é feita percorrendo trilhas na base das montanhas e nas margens do Lago Grey, porém, o mau tempo e os fortes ventos nos impediram de curtir mais esta parte da aventura, foram 11 km de caminhada do Refúgio Grey até Paine Grande. O tempo estava com condições tão adversas que consegui tirar apenas três fotos desta parte do trajeto. Ainda que para nossa sorte, estávamos caminhando a favor do vento, ou seja, toda ventania aliada à chuva gelada e fina vinda do Glaciar batia em nossas costas e de certa forma, em alguns momentos, acelerava nossos passos com as fortes rajadas de vento.

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Mau tempo no trajeto Grey – Paine Grande

Chegamos ao acampamento Paine Grande pouco antes do meio dia, ainda caia uma chuva fina e ventava muito, nessas alturas a fome já dava sinais que estava ali outra vez. Pra variar um pouco o cardápio, comemos Massa novamente, eu já estava ficando na cor “amarela” de tanto comer Massa, mas, era o que tínhamos para o momento, então, Figura 23: Local para alimentação, Refúgio Grey. Figura 22: Mau tempo no trajeto Grey – Paine Grande. 23 vamos ao almoço. Este era o dia da despedida da nossa Amiga da Argentina, ali em Paine Grande ela completava o Circuito “O” de Torres Del Paine que havia iniciado três dias antes de nós. Após o almoço nos despedimos, tiramos uma foto juntos e seguimos rumo ao acampamento Italiano, nosso objetivo final do dia.

Ao sair para caminhada, como de costume, liguei o GPS para marcar o trajeto e acompanhar nossa quilometragem, porém, a surpresa, o aparelho não queria mais funcionar, ligava e ficava “travado” na tela inicial. Tentei uma, duas, oito vezes e nada de funcionar, então, partimos para a pernada pela primeira vez sem marcar o percurso no GPS. Eram mais 5 km até o acampamento Italiano e já tínhamos ouvido comentários que o local não era muito bom para acampar, poucos lugares planos e muita umidade, porém, é pra lá que nós vamos. Já nos primeiros 2 km de trilha, o vento agora lateral, era muito forte, tão forte que chegava a nos jogar para fora da trilha. Após 2 km o GPS funcionou.

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Tempo fechado no acampamento Italiano.

Andamos pela trilha junto com um camarada do Canadá que conhecemos no Refúgio Grey, um homem de aproximadamente 50 anos de idade que estava fazendo o percurso Paine sozinho. O vento continuava a nos castigar e uma forte rajada arrancou a capa de chuva da minha mochila e levou pra longe, ouvi um barulho estranho, mas não percebi, foi quando nosso amigo do Canadá correu até nós e nos avisou do ocorrido, imediatamente larguei a mochila na trilha e fui tentar o resgate da capa voadora, por sorte, ela estava presa aos arbustos a uns 150 do local onde estávamos. Tudo ajeitado novamente, seguimos pela trilha, o vento não dava trégua, ao chegar próximo às margens do lago, o vento levantava pequenas nuvens de água e jogava contra nós, ao olhar na direção do acampamento Italiano nas montanhas a visão era ainda mais assustadora. A chuva aumentava e o vento também, a trilha estava totalmente encharcada, um verdadeiro caos, mas sabíamos que o acampamento estava próximo. Este foi sem dúvida o nosso pior dia da aventura, chegamos ao acampamento molhados, tudo ao redor estava molhado e montamos nosso acampamento debaixo de chuva. Importante lembrar que após a tempestade o sol sempre volta a brilhar. Jantamos cada um na sua barraca e fomos dormir cedo, molhados e na esperança que amanhã o tempo esteja melhor.

Transcrição do diário da viagem por: Cristiano da Cruz e Paulo Adair Manjabosco

Data do Relato: 15 a 30/03/2014

Texto e Fotos: Cristiano Da Cruz

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Contato: www.indiadabuena.com.br

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