Quando vi que o documentário Seaspiracy: Mar Vermelho seria lançado no Netflix já fiquei na expectativa sobre qual conteúdo ele traria. Esperava algo previsível, sobre o lixo nos mares, a necessidade de preservação, a importância do oceano para a vida no planeta… mas foi como um soco na boca do estômago. Depois de cair no choro duas vezes, quando terminei de assistir, estava completamente atônita, sem palavras…

Talvez possa parecer exagero, mas quando a gente se envolve, por paixão, com alguma causa, e percebemos que estamos tão longe de alcançar nossos objetivos, a gente se sente impotente, desanimado. Mas uma frase da ilustre bióloga marinha Sylvia Earle dá o tom de como tem que ser a nossa luta:

“A maioria das coisas positivas e negativas que trazem mudanças à civilização humana começam com alguém. Uma pessoa. E uma pessoa não consegue fazer tudo, mas cada uma pode fazer uma parte.”

Se você não está entendendo absolutamente nada do porquê da minha comoção, vou explicar em linhas gerais o que o documentário aborda, não com o intuito de resumir, mas para que isso lhe instigue a assistir, entender melhor e também refletir de que forma pode atuar para frear, desacelerar, a destruição que temos vivido, a destruição da nossa própria espécie.

Muito se fala da importância das florestas como pulmões do mundo. Elas são de suma importância SIM e precisam sempre da nossa atenção e cuidado, mas o maior pulmão do mundo é o oceano, pois as algas marinhas é que são as maiores produtoras de oxigênio, além dos mares atuarem como reguladores do clima, são neutralizadores do CO2.

A vida marinha tem sido destruída em escalas enormes, ano após ano, e estima-se que, se extinta a vida nos mares, a raça humana também estará rapidamente fadada à extinção, tão importante é o papel deste ecossistema em nossas vidas.

A primeira forma, e mais divulgada atualmente, de atuarmos de forma a retardar essa destruição, é a redução da poluição causada pelos plásticos. Muito tem sido feito, ONGs engajadas, materiais alternativos ao plástico, leis, ações de conscientização, de limpeza… Mas o dado mais surpreendente que o documentário apresenta, é que quase metade do plástico que polui os mares é advindo de material de pesca. 

Ou seja, aqueles que geram seus lucros através do oceano, são os maiores responsáveis pela sua acelerada degradação, não só pelo lixo, mas pela forma de exploração destes recursos. Isso não quer dizer que não devemos mais recusar o canudo plástico, escolher melhor as embalagens que consumimos, carregar o copo reutilizável na bolsa, levar a sacola retornável ao supermercado, mas significa sim que devemos ir mais além.

Mais uma vez, salta aos nossos olhos a necessidade de entendermos toda a vida e todas as ações como uma só coisa, tudo está interligado, todas as pessoas, todas as ações, todas as formas de vida.

Importante salientar aqui que não acho que os culpados sejam os pequenos pescadores, que tem a pesca como seu meio de subsistência. Mas estes pescadores precisam sim ser educados e alertados sobre tudo o que podem fazer para que possam seguir por mais anos e gerações tendo nas águas seu sustento.

O documentário aborda como a indústria da pesca sustentável pode ser enganadora, como os selos de produtos da pesca sustentável são muito mais uma forma das empresas certificadoras ganharem mares de dinheiro, sem que efetivamente estejam preocupadas com a forma que aqueles produtos chegam às indústrias, ao supermercados e à mesa dos consumidores que pensam estar fazendo algo pelo planeta. O planeta perde, o consumidor perde, e as empresas concedentes dos selos, que anunciam estar preocupadas com os mares, ganham, ganham muito dinheiro.

A pesca realizada em alto mar está longe dos holofotes, das fiscalizações, e acaba por realizar práticas degradantes em detrimento da “produtividade”. Centenas, milhares de animais são mortos nas redes e devolvidos às águas, pois pescados de forma “acidental” e não tem qualquer valor comercial. 

A pesca de arrasto é responsável por uma destruição em grandes escalas e perigosíssima, eis que reduz a população de peixes e de toda a fauna. Uma rede de arrasto pode varrer uma área equivalente a cinco mil campos de futebol numa única pescaria.

Cenas muito chocantes trazem a problemática da matança de baleias e tubarões, que é realizada para extração das barbatanas (para sopas) e também para facilitar a pesca ilegal de atum.

Se não bastasse a devastação da vida marinha, o documentário chega em um ponto ainda mais crítico, para poder tocar também aqueles que acham que somente a vida humana importa. Pois bem, a indústria pesca está fortemente ligada à escravidão. Pescadores trabalhando anos e anos em condições degradantes, presos, enganados, sem saber se voltarão para casa algum dia e vendo seus companheiros morrendo e serem jogados no mar. 

Como disse, aqui são apenas pequenos tópicos, observações importantes sobre um material muito rico e muito impactante. Que faz entrarmos em reflexões profundas sobre o nosso papel nisso tudo.

Seria perfeito se a preocupação, a educação, a conscientização, as ações, fossem incentivadas e iniciadas por aqueles que mais têm poder, que fazem as leis e que mais movimentam dinheiro: os políticos. Mas infelizmente a realidade é que ao invés de estarem efetivamente preocupados com o povo, com o planeta, os interesses particulares deles, o dinheiro, são sempre mais importantes. Então cabe a nós, individualmente, começar essa batalha e fazer essa luta chegar mais longe possível, podemos ser tão fortes quanto exércitos, cada um fazendo um pouquinho.

No final das contas, o documentário apresenta uma única solução como realmente eficaz nessa batalha para salvar toda a riqueza e vida que o oceano nos dá, e sobre isso eu não vou falar aqui, espero sinceramente que você possa parar 1:30 do seu tempo para assistir ao documentário e tirar suas próprias conclusões.

Você pode compartilhar com seus amigos e podemos conversar mais sobre isso. Boas coisas acontecem quando cuidamos da natureza.

 

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2 Comentários de

  1. Cinthia Bordini 29/03/2021 no 13:23

    Muito boa sua reflexão. Sim, o povo e cada indivíduo tem que acordar. O problema é o capitalismo. Seu funcionamento é sempre predador, devastador, escravagista e excludente. Só discordo da expressão:” mas o verdadeiro pulmão”. Talvez o mais apropriado seria dizer que o mar é o maior pulmão, não o verdadeiro (até porque a maior parte da Terra é de água). Árvores e algas marinhas são igualmente importantes.

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    1. Janaine 29/03/2021 no 13:39

      Olá Cinthia, obrigada pelo seu comentário!! Muito valiosa a colocação sobre mares e das florestas serem igualmente importantes, vou fazer essa retificação no texto!

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