Porque viajamos?

Tenho observado um aumento significativo nas praticas de atividades ao ar-livre, não estou falando apenas sobre viagens, mas tudo aquilo que é possível fazer junto a natureza, ou seja, uma caminhada durante a tarde, um trekking no fim de semana, acampamentos, banhos de cachoeiras e esportes de aventura.

Isso se dá em razão do grande stress acumulado durante os dias que passamos fazendo coisas que são importantes, ou que achamos que são importantes para nossas vidas, ou ainda,  porque sempre ouvimos outras pessoas dizendo o que é que temos que fazer das nossas vidas. A sociedade que vivemos cobra de todos nós um certo padrão de vida, que normalmente é nascer, crescer, estudar, se formar, se graduar, trabalhar por muito tempo e depois se aposentar tranquilamente, para só depois aproveitar com prazer a vida.

Mas cá entre nós, se formos analisar tudo que acontece no decorrer de nossas vidas, a contar do momento em que começamos a trabalhar no primeiro emprego, até realmente decidirmos o que fazer de nossas vidas. Vários tropeços e mudanças de paradigmas ocorrem até finalmente conseguirmos trabalhar em algo que realmente nos traga tranquilidade e satisfação pessoal.

Nossas vidas são uma série de reações em cadeia e  que, muitas vezes não conseguimos fazer realmente aquilo que queremos, passando a vida toda esperando que algo de bom nos aconteça para realmente sermos felizes.

Tenho a plena certeza, de que não conseguiremos viver tranquilamente e principalmente, vida saudável ao nos aposentarmos.

Não é de hoje que vemos pessoas largando tudo que construíram ao longo dos anos, para viver uma vida mais amena, tranquila e que realmente faça a diferença a eles, sem se importar com a sociedade em si. Isso tudo, porque viveram fazendo coisas que outras pessoas falaram que eram importantes, ao invés de fazerem aquilo que realmente queriam.

Porque viajamos?

Para vocês leitores entenderem aquilo que vou explicar, vou citar alguns exemplos que todos nós conhecemos, ou apenas ouvimos falar em algum momento de nossas vidas.

O primeiro exemplo que dou é a história de Christopher Johnson McCandless, conhecido também por  Alexander Supertramp, um jovem americano que após ter terminado a faculdade, partiu em uma viagem dos sonhos para o Alaska e nunca mais retornou. A história dessa incrível viagem é vista no livro de Jon Krakauer – Na Natureza Selvagem e em um filme com o mesmo nome, clique aqui.

Porque viajamos

Depois de ler e assistir essa história, certamente nos perguntaremos o que levou Alex fazer essa louca e estranha viagem? Isso é um mistério que talvez ninguém saiba ao certo, mas cada leitor tem uma opinião pessoal sobre isso, vou aqui mostrar a minha e assim explicar o porque que as pessoas viajam!

Acredito que Alexander Supertramp, assim como conhecido no livro e no filme “Na Natureza Selvagem” escolheu sair em uma viagem para o desconhecido para se libertar da sociedade que o oprimia e dos conceitos que seus pais implantavam sobre como deveria ser sua vida. Ele quis se ver livre de tudo isso e viver uma vida do seu próprio jeito, provando que é possível viver apenas com o suficiente, e assim ser feliz por completo. Depois de passar algum tempo na estrada, trabalhando, viajando, morando com hippies, passou a acreditar que podia viver apenas na natureza, fora das civilizações, se alimentando apenas do que a natureza poderia ofertar.

A grande tragedia que ocorreu e fez com que ele nunca mais voltasse do Alaska, e por sua vez da sua incrível viagem, se deu, por causa de fatores externos como a falta de alimentos e  o clima desfavorável. Entretanto, ele percebeu o que era realmente importante na vida, como poderia ser feliz vivendo apenas com o suficiente.

Uma das frases mais icônicas que vemos nessa história é retirada de um livro de Tolstói, veja a seguir:

“Eu já vivi muita coisa e agora acho que descobri o que preciso para ser feliz. Uma vida calma e sossegada no campo com possibilidade de ser útil a pessoas as quais é fácil fazer o bem, que não estão acostumadas a serem servidas e trabalho que se espera ser útil. Depois descanso, natureza, livros, música, amor pelo próximo. Essa é a minha ideia de felicidade. E aí, acima de tudo isso ter você como companheira e filhos talvez. O que mais o coração de um homem pode desejar?” Tolstói

Todos nós viajantes procuramos apenas uma coisa em nossas viagens, se conectar com o nosso “eu verdadeiro”,  e porque não conseguimos fazer isso em nossas casas ou durante nosso turbulento cotidiano? Pelo simples fato que estamos muito conectados com muitas pessoas, pensamentos, internet e uma sociedade que sempre nos estimula  a busca e o crescimento material.

Não quero dizer  que o dinheiro e o conforto são desnecessários, são muito úteis em nossas vidas.

Será que ter um carro importado, uma casa gigantesca e muito dinheiro vai nos trazer paz e tranquilidade? Talvez seja possível.  Não quero dizer que tudo isso não é importante, só  quero lembrar que precisamos também parar e pensar se realmente estamos evoluindo como pessoas ou retrocedendo no caminho da evolução.

As viagens e a natureza em si possibilitam  a conexão  com a parte mais pura de nós mesmos. Ou seja, passar o tempo apenas com você mesmo, sem interferências. É você no controle o tempo todo, fazendo aquilo que mais quer a todo o momento. No livro e no filme – Na Natureza Selvagem, dá pra ter a noção de como é viver assim.

Outro exemplo que trago sobre o assunto é a história do gaúcho Thiago Berto, que vendeu tudo que tinha para viajar e fazer o que realmente queria da vida, veja mais em – O relato surpreendente de um sonho.

Porque viajamos

Tive oportunidade de conhecer pessoalmente Thiago Berto, ocasião em que palestrava em uma escola para mais de seiscentas pessoas,  falava sobre seus 2 anos de viagens pelo mundo. A história é  incrível. Imaginem um jovem com vinte e poucos anos que trabalhava muito, era empresário, tinha carro, casa própria e dinheiro suficiente para ir a qualquer lugar, o que  é um sonho para a maioria das pessoas.  ocorre que mesmo com tudo o que tinha, o jovem não era feliz. Mesmo tendo atingido o ápice de sua carreira percebeu que tudo o que possuía não era importante. Vendeu tudo que tinha para viajar o mundo e tentar encontrar aquilo que realmente poderia faze-lo feliz completamente.

Há quem diga, que as pessoas viajam para conhecer novos lugares, novas culturas, novas maneiras de ter uma vida mais tranquila e saudável, mas tudo isso sempre gira sobre nós mesmos. Viajamos porque necessitamos, a todo o tempo, estar conectados com o nosso “eu interior” e fazer aquilo que nascemos para fazer, cumprir nossa missão. Esse é o principal motivo que leva as pessoas a largar a vida que tem e cair no mundo.

A pergunta que faço agora a vocês leitores é: O que você faria se não existisse dinheiro no mundo?

1 Comentário

  1. Thalissa 25/03/2016 no 17:46

    Amei o site, amei a matéria! Sou acadêmica do curso de Turismo e estou fazendo um trabalho sobre trekking, vocês me ajudaram muito a entender melhor sobre isso. Excelente trabalho. Continuem!

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