São Thomé das Letras

São Thomé das Letras foi a nossa primeira parada  planejada da aventura de motorhome. Se você caiu de paraquedas nesse post e quer saber mais sobre como surgiu a ideia e como nos preparamos para a viagem, clica aqui e aqui. A cidade é rodeada de lendas e misticismo, por curiosidade, decidimos incluí-la em nosso roteiro. Além do mais, ela faz parte da antiga Estrada Real.

Alguns acreditam que São Tomé seja um dos sete pontos energéticos da Terra, o que atrai, para o lugar, místicos, sociedades espiritualistas, científicas e alternativas, o que dá razão a outro nome da cidade: “Cidade Mística”. Também atrai visitantes em busca de supostas aparições de ovnis na localidade.

Bom, depois de um dia de 12 horas de estrada, ter cruzado a fronteira de dois estados e mais de 850 km rodados, já eram mais de oito da noite quando chegamos ao pórtico da cidade de São Thomé das Letras. Achei estranho que tinha cones e uma fita bloqueando a passagem dos veículos, e duas pessoas “controlando” a entrada. 

Pensei: “Ishh, será que aconteceu alguma coisa e a cidade está fechada?”. Então a senhora que estava lá questionou se tínhamos reserva, pois só poderíamos entrar na cidade se tivéssemos reserva em um hotel ou camping, essa medida foi adotada pela cidade em virtude da pandemia, para evitar “superlotação”, fazem esse controle da entrada de quinta a domingo.

No caminho até tínhamos tentado contatar alguns campings, mas não tivemos retorno, e também, com o motorhome, não estávamos preocupados com isso, pois poderíamos só chegar e estacionar em qualquer lugar, e dormir. 

A cidade fica no alto de um morro, no “meio do nada”, então não tinha nenhum lugar próximo que poderíamos voltar como alternativa. Então começamos a contatar os campings e pousadas, mesmo sabendo que na grande maioria deles sequer conseguiríamos chegar com a nossa casinha. Precisávamos só do nosso nome no sistema pra podermos entrar na cidade.

Foi então que conseguimos conversar com a Michele, do Camping e Pousada Solaris, ela nos cobrou uma diária de camping e inseriu nosso nome para liberar a entrada, também nos deu dica de onde poderíamos estacionar, como se localizar na cidade e deixou a estrutura deles à disposição se precisássemos de algo.

Entramos na cidade e estacionamos ao lado da rodoviária, parecia um lugar super deserto, sem movimento. Mas na manhã seguinte percebemos que na realidade era um lugar super movimentado.

Vale salientar a peculiaridade das ruas que são todas de pedra, não se trata de calçamentos com paralelepípedos, mas sim pedras enormes, irregulares, o que inclusive nos fez ter certeza que não conseguiríamos circular dentro da cidade com a Miranda.

Quando terminamos de nos instalar já era tarde, mas saímos dar uma caminhada pela cidade na esperança de encontrar algum lugar para jantar. Encontramos um lugar que já tínhamos lido recomendações no TripAdvisor, o Restaurante da Sinhá.

A comida é feita e servida em fogão à lenha, tempero delicioso, várias opções vegetarianas e garçons e cozinheiros super atenciosos e simpáticos. E não é somente a comida e a equipe que merecem destaque não, a arquitetura e história são um detalhe à parte.

O restaurante está instalado numa das construções mais antigas da cidade, um casarão do século XVIII feito de pau a pique que uma técnica construtiva antiga com entrelaçamento de madeiras verticais fixadas no solo, com vigas horizontais, geralmente de bambu, amarradas entre si por cipós, seus vãos são preenchidos com barro, transforma-se em parede. As telhas originais foram moldadas nas coxas pelos escravos que não podiam fazer o trabalho mais pesado. A construção preserva as divisões internas, podendo ser observados os salões e salas onde ficavam os escravos. 

Na manhã seguinte saímos para ver um pouco da cidade à luz do dia, não pretendíamos ficar muito tempo ali, pois tínhamos mais um percurso longo até nosso próximo destino.

Aproveitamos o convite da Michele e fomos até a Pousada Solaris para tomar um banho. O caminho até lá já foi cheio de registros, desde os ETs no topo das casas, as casas feitas todas de pedra e também alguns duendes espalhados por lá.

Chegando na pousada tivemos uma surpresa maravilhosa, além de sermos super bem recebidos pela Michele, Junior e o Luan, descobrimos que a vista lá de cima é linda. São Thomé é uma cidade situada a mais de 1200m de altitude, o que proporciona uma visão panorâmica de tirar o fôlego.

Muitas casas também eram todas de pedras, isso porque a região é local de grande extração do quartzito, também conhecido como pedra de São Thomé. A exploração deste minério, inclusive para o exportação, é um dos grandes movimentadores da economia local, mas também um fator de grande degradação do meio ambiente.

Não podíamos deixar de visitar a Casa da Pirâmide, conhecido como local privilegiado para assistir ao pôr do sol e também observar as estrelas. Como o nome já diz, é construída em formato piramidal e subindo no seu topo é possível ter uma visão 360° do vale. 

Na quadra central da cidade fica a Igreja de São Thomé, que teve sua construção iniciada em 1785, mas não pudemos entrar pois estava fechada para restauração. Um pouco acima fica também a gruta que deu origem ao nome e algumas das lendas locais.

A cidade é cercada de belas cachoeiras, mas como nossa passagem por ali era rápida, não conhecemos nenhuma delas, além do mais, pegamos um período de muita estiagem, o que acaba deixando as cachoeiras muito secas. Se você for pra lá com tempo, dizem que vale muito a pena.

Parada número 1 finalizada, hora de seguir viagem por Minas. Próxima parada: Ouro Preto!

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