No último feriadão embarcamos com a Sol de Indiada para XII Travessia Borda dos Cânions: Josafaz e Pedra Branca. Pra mim, feriadão é sinônimo de viagem, de sair da cidade, conhecer novos lugares, sair da rotina. E se essa viagem for cheia de desafios, gente bacana e paisagens incríveis, não precisa me chamar duas vezes. 

Diferente de travessias na beira do mar ou em áreas mais planas como a Travessia da Lagoa dos Patos e a Travessia da Lagoa do Peixe, quando se fala em cânions já é bom estar preparado para aventura e desafios, a começar pelo primeiro dia, pois é sempre o dia de ascensão, de chegar na parte alta, onde se desenrolarão os dias seguintes. 

Primeiro Dia – Morrinhos do Sul, subindo!

Nosso ponto de partida foi a cidade de Morrinhos do Sul, e nosso primeiro dia foi marcado por uma subida bastante acentuada, mas com paisagens incríveis. Como a previsão para nosso último dia estava marcando chuva e tempo fechado, sabiamente o roteiro foi alterado e subimos pelo local que seria de descida. 

O primeiro trecho foi em estrada de chão, seguido dos campos, mas não pense em campos planos, lisinhos, a elevação era beeem acentuada. Logo já era possível avistar do outro lado o famoso Morro do Forno, que tem um aspecto inconfundível, e pra mim, parece que tem um chapéu no topo do morro.

A dificuldade da subida se intensificou um pouco quando chegamos à parte mais rochosa, que demandam um pouco da popular “escalaminhada”, mas em compensação, aumentaram também os números de mirantes e belos lugares para uma pausa para descansar e fazer um lanchinho.

Depois de tanto esforço, chegamos ao topo, onde caminhamos pelos campos abertos e estradas de chão até chegarmos no nosso ponto de acampamento (selvagem, é claro). Foram cerca de 12km de caminhada no primeiro dia.

Mas nada de descanso, nosso local de camping foi no início do Cânion Pedra Branca, um lugar privilegiado que nos possibilita explorar os dois lados do cânion, hora de escolher o melhor lugar pra montar a barraca, onde ficou montada nos dois dias seguintes, fazer todos os ajustes e assegurar que estaria firme, mesmo com possíveis ventos. A primeira noite foi marcada por um frio bastante intenso, o que me preocupou um pouco, mas não me impediu de dormir um sono profundo e restaurador depois do dia intenso.

Segundo dia – Cânion Pedra Branca e Josafaz

No segundo dia acordamos com o belíssimo nascer do sol, um céu limpo, perfeito para visibilidade. Como já é de praxe, a equipe da Sol de Indiada preparou um café da manhã caprichadíssimo para despertar todos os caminhantes. 

A quilometragem do segundo dia foi longa, cerca de 20km, mas foi belíssima. Contornamos um pedaço do Cânion Pedra Branca por ambos os lados, de onde foi possível uma cachoeira de cerca de 60 metros que ficava muito próxima de onde estávamos acampados, é também conhecida como Cachoeira Pedra Branca, mas da parte alta, não devendo ser confundida com a outra Cascata da Pedra Branca, que fica sim na continuidade destas mesmas águas, mas fica mais para baixo do Cânion, sendo acessada facilmente pelo município de Itati.

Tivemos visibilidade também para contemplar três belas quedas em sequência, conhecidas como Três Marias, que possuem de 25 a 35 metros cada uma e juntas formam um paredão belíssimo.

Nossa travessia foi praticamente toda em solo gaúcho, com exceção de uma pequena pisadinha que demos em solo catarinense. O que nos deu essa possibilidade interestadual foi a singularidade do Cânion Josafaz, que delimita a divisa entre os dois estados de forma bastante peculiar (dá pra observar no mapa).

Após visitar o estado vizinho e apreciar a beleza da Cachoeira do Cânion Josafaz, aproveitamos o solzinho e tomamos banho completo (com direito a shampoo sólido, natural e vegano da BOB) na água geladíssima do rio que corria ali. Quem faz travessia e acampamento selvagem consegue entender o valor de um banho de verdade depois de dois dias de caminhada. =)

Depois de tanto caminhar e apreciar a beleza das paisagens, é momento de descansar um pouco, jantar e curtir também o privilégio de estar rodeado de pessoas que compartilham da mesma paixão pela natureza, mas que têm histórias tão diferentes e peculiares. Cada travessia termina sempre recheada de boas histórias para contar e de novas amizades. A segunda noite de acampamento foi marcada por um vento muito forte, o que sinalizava um possível temporal vindo em nossa direção.

Terceiro dia – Ponta Mirante de Torres

Logo na manhã do terceiro dia, optamos por trocar o acampamento de lugar por questão de segurança, estávamos muito próximos do cânion, um vento mais intenso poderia ser perigoso. O novo local também nos deixava um pouco mais protegidos da chuva que estava prevista.

Depois de deslocar todas barracas e também nossa cozinha, saímos para mais uma caminhadinha de uns 21km. Mais um dia lindo, sem nuvens, sem neblina, apenas marcado por um pouco mais de vento, o que demanda cuidado nas caminhadas em borda de cânion.

O ponto alto, literalmente, deste dia, foi nossa visita à Ponta Mirante de Torres, local de onde se avista a Lagoa Itapeva, a cidade de Torres e o mar do litoral norte gaúcho, uma visibilidade incrível e mais de 20km. Também desafiamos os medos de altura na ida até a crista que batizamos como Crista da Cascata Três Marias, mais um lugar pra lembrarmos que somos um pequeno pedaço de uma criação tão perfeita.

Ah, não poderia deixar de citar o privilégio que temos em possuir nascentes e águas tão puras ao nosso redor, a água que abasteceu nossa cozinha e matou a sede dos trilheiros durante todos os dias era dos rios e cachoeiras que nos rodeavam, água pura e bem geladinha. 

Na noite do último dia de acampamento a chuva deu as caras, mas nada muito forte, apenas um chuvisco, o que nos fez deixar tudo extremamente organizado, e preparado caso chovesse mais à noite e também no horário de desmontar as barracas pela manhã.

Quarto dia – retorno por um belo caminho

Último dia, barracas desmontadas, carros de apoio cheios, hora de iniciar a descida. Caminhamos cerca de 15km, a grande maioria descendo, o que não parece, mas exige bastante também, pois o solo estava úmido, que pode causar quedas, e por isso demanda muita estabilildade na pisada.

Diferente dos outros dias, o céu estava nublado e uma neblina chegou a baixar um pouco, mas nada que atrapalhasse o encerramento desta jornada. O caminho do último dia também era de características diferentes, pois andamos em mata mais fechada, o que nos possibilitou observar ecossistemas diferentes e extremamente preservados também. 

Fomos presenteados com um caminho repleto de xaxins enormes, acredito que alguns chegavam a ter 4 metros (o que significa ter cerca de 400 anos!!!) e também com frutos de cores inusitadas, pouco presentes na natureza. 

Cada travessia é singular, são momentos que nos conectam, com a natureza, com outras pessoas e com nós mesmos…

Embarcamos com a Sol de Indiada para XII Travessia Borda dos Cânions, e você, o que te faz sentir conectado? Escreva pra gente!

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